Projeto Anjo dos Cavalos - Comunicado de 20/05/2007

Fotos: Eufrate Almeida

Aos amigos


O projeto Anjo dos Cavalos, embora sem este nome e sem a pretensão de ser um projeto, iniciou suas atividades em 1.995, com a falecida e saudosa CELINA VALENTINO, conhecida como “Celina dos Leões” e “Celina dos Cavalos”. Vice-Presidente da UIPA-União Internacional de Proteção aos Animais, Celina, ajudou a elaborar uma lei com o então Vereador Brasil Vita, que começaria a ajustar a conduta de carroceiros e “proprietários” de cavalos, que circulavam livremente pelas ruas, avenidas e marginais da 4ª maior cidade do planeta.

Celina conquistou o final do Leilão (prática “das propinas”) que se realizavam, irregularmente, em área pública no CCZ, e os animais acabavam retornando para seus “proprietários” que marchavam pelo asfalto, por quilômetros, retornando aos seus destinos.

Lutou pela melhoria das baias no CCZ, uma vez que a infra-estrutura era zero para apreensão de cavalos em maior quantidade. Trouxe o laboratório para São Paulo para que a AIE (anemia infecciosa) fosse melhor agilizada, uma vez que somente na UNICAMP se procedia o exame e demorava 40 dias para os resultados. Algumas vezes, animais foram doados e o resultado chegava positivo devendo, o animal, retornar para o CCZ, a fim de procederem a eutanásia. Risco que muitos adotantes correram de comprometerem outros animais nos sítios depositários. Implantou o microschip, pois os animais eram marcados à ferro em brasa, com as iniciais do CCZ, situação, para Celina, insuportável e cruel. O microschip também garante a identificação e dados fundamentais do animal e seu adotante, nos casos de roubos, óbitos e monitoramento das doações.

Celina foi ameaçada inúmeras vezes, por sua coragem e organização, em desbaratar quadrilhas que negociavam cavalos entre a capital e outros municípios limítrofes.

Faleceu em 2002, deixando seus parceiros inconformados com sua ausência, saudosos e acreditando que o projeto estaria acabado. Porém, pelas mãos desconhecidas do destino, uma voz se levantou para continuar a defesa dos cavalos e o prosseguimento do valioso trabalho de Celina Valentino.

Há onze anos, a cidade estimava cerca de 8.000 cavalos e após a lei nº 11.887/95, e com o exercício desta, a obstinada Celina, seguiu com a conscientização de pessoas, comunidades e autoridades, enfrentando com determinação todas as dificuldades , fazendo assim, com que muitos “proprietários” de cavalos se afastassem da capital.

Hoje, estima-se cerca de 3.500 cavalos, sendo que muitos são de outros municípios, mas circulam na capital, especialmente, nas periferias.

Em 2006, a lei nº 14.146/06 de autoria do Vereador Roberto Tripoli, que após várias reuniões com os órgãos do executivo, amplia e atualiza a primeira lei, promove a divisão de tarefas com os outros órgãos da Prefeitura, além do CCZ, na responsabilidade de deterem as carroças nas vias públicas, desatrelamento dos animais de imediato, encaminhamento das carroças apreendidas para depósitos públicos, os animais para o CCZ, podendo seus proprietários, uma vez cumpridas as exigências legais, reavêlos ou perdê-los para sempre!

Em casos de apreensão por maus-tratos, imediatamente, lavra-se o B.O e o “proprietário”, legalmente, não mais terá direito ao animal. Cumprido o prazo legal, tratamento veterinário, AIE negativo e microschipado, será doado para o Projeto Anjos dos Cavalos, apoiado pelo Quintal de São Francisco e Sozed/SP, que o encaminhará para a aposentadoria e descanso, em lares fora do município.

O Projeto Anjo dos Cavalos, mantém 2 (dois) voluntários devidamente credenciados no CCZ que cuidam e se revezam (finais de semana, feriados e férias, inclusive), enquanto os cavalos permanecem nas baias, e assumem o compromisso de, quando necessário, encaminhá-los para hospitais veterinários, nas despesas com cirurgias e medicamentos, bem como, os transportes.

Quando recuperados e em condições de saúde e bem-estar para viajarem, são transportados para os adotantes (depositários), com todo sigilo e organização, para que a carga não seja atacada e recuperada por criminosos. Animais já foram roubados de adotantes em outras ocasiões, mas graças ao microschip e a ajuda da polícia, recuperados e reencaminhados para outro destino.

Atividade difícil e perigosa!

São anos de aprendizado e constante alerta. Animais são retirados das ruas diariamente, por abandono e por maus-tratos. As denúncias no 156 são encaminhadas ao CCZ e a operação preserva o denunciante, os funcionários e os voluntários que participam das ações.

Temos muito orgulho deste trabalho que apesar de pouco divulgado, por motivos óbvios, caminha correta e seriamente, em concordância com a vontade da sociedade paulistana, que não mais suporta assistir cenas de crueldade e de abuso contra os animais.

Agradece a todos que colaboram e participam das campanhas esclarecedoras sobre a vida dos cavalos em meios urbanos e lutam para que na próxima década, a cidade de São Paulo possa também, se orgulhar de tratar seus animais com dignidade, respeito e cidadania.

Projeto Anjo dos Cavalos - PAC
coordenação geral
coordenação de projetos especiais
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pac@anjodoscavalos.org.br

 

                   

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