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Aos
amigos
O projeto Anjo dos Cavalos, embora sem este nome e
sem a pretensão de ser um projeto, iniciou suas
atividades em 1.995, com a falecida e saudosa
CELINA VALENTINO, conhecida como “Celina dos
Leões” e “Celina dos Cavalos”. Vice-Presidente da
UIPA-União Internacional de Proteção aos Animais,
Celina, ajudou a elaborar uma lei com o então
Vereador Brasil Vita, que começaria a ajustar a
conduta de carroceiros e “proprietários” de
cavalos, que circulavam livremente pelas ruas,
avenidas e marginais da 4ª maior cidade do
planeta.
Celina conquistou o final do Leilão (prática “das
propinas”) que se realizavam, irregularmente, em
área pública no CCZ, e os animais acabavam
retornando para seus “proprietários” que marchavam
pelo asfalto, por quilômetros, retornando aos seus
destinos.
Lutou pela melhoria das baias no CCZ, uma vez que
a infra-estrutura era zero para apreensão de
cavalos em maior quantidade. Trouxe o laboratório
para São Paulo para que a AIE (anemia infecciosa)
fosse melhor agilizada, uma vez que somente na
UNICAMP se procedia o exame e demorava 40 dias
para os resultados. Algumas vezes, animais foram
doados e o resultado chegava positivo devendo, o
animal, retornar para o CCZ, a fim de procederem a
eutanásia. Risco que muitos adotantes correram de
comprometerem outros animais nos sítios
depositários. Implantou o microschip, pois os
animais eram marcados à ferro em brasa, com as
iniciais do CCZ, situação, para Celina,
insuportável e cruel. O microschip também garante
a identificação e dados fundamentais do animal e
seu adotante, nos casos de roubos, óbitos e
monitoramento das doações.
Celina foi ameaçada de morte inúmeras vezes, por
sua coragem e organização, em desbaratar
quadrilhas que negociavam cavalos entre a capital
e outros municípios limítrofes.
Foi brutalmente assassinada em 2002, deixando seus
parceiros inconformados com sua ausência, saudosos
e desesperados, acreditando que o projeto estaria
acabado. Porém, pelas mãos desconhecidas do
destino, uma voz se levantou para continuar a
defesa dos cavalos e o prosseguimento do valioso
trabalho de Celina Valentino.
Há onze anos, a cidade estimava cerca de 8.000
cavalos e após a lei nº 11.887/95, e com o
exercício desta, a obstinada Celina, seguiu com a
conscientização de pessoas, comunidades e
autoridades, enfrentando com determinação todas as
dificuldades , fazendo assim, com que muitos
“proprietários” de cavalos se afastassem da
capital.
Hoje, estima-se cerca de 3.500 cavalos, sendo que
muitos são de outros municípios, mas circulam na
capital, especialmente, nas periferias.
Em 2006, a lei nº 14.146/06 de autoria do Vereador
Roberto Tripoli, que após várias reuniões com os
órgãos do executivo, amplia e atualiza a primeira
lei, promove a divisão de tarefas com os outros
órgãos da Prefeitura, além do CCZ, na
responsabilidade de deterem as carroças nas vias
públicas, desatrelamento dos animais de imediato,
encaminhamento das carroças apreendidas para
depósitos públicos, os animais para o CCZ, podendo
seus proprietários, uma vez cumpridas as
exigências legais, reavêlos ou perdê-los para
sempre!
Em casos de apreensão por maus-tratos,
imediatamente, lavra-se o B.O e o “proprietário”,
legalmente, não mais terá direito ao animal.
Cumprido o prazo legal, tratamento veterinário,
AIE negativo e microschipado, será doado para o
Projeto Anjos dos Cavalos, apoiado pelo Quintal de
São Francisco e Sozed/SP, que o encaminhará para a
aposentadoria e descanso, em lares fora do
município.
O Projeto Anjo dos Cavalos, mantém 2 (dois)
voluntários devidamente credenciados no CCZ que
cuidam e se revezam (finais de semana, feriados e
férias, inclusive), enquanto os cavalos permanecem
nas baias, e assumem o compromisso de, quando
necessário, encaminhá-los para hospitais
veterinários, nas despesas com cirurgias e
medicamentos, bem como, os transportes.
Quando recuperados e em condições de saúde e
bem-estar para viajarem, são transportados para os
adotantes (depositários), com todo sigilo e
organização, para que a carga não seja atacada e
recuperada por criminosos. Animais já foram
roubados de adotantes em outras ocasiões, mas
graças ao microschip e a ajuda da polícia,
recuperados e reencaminhados para outro destino.
Atividade difícil e perigosa!
São anos de aprendizado e constante alerta.
Animais são retirados das ruas diariamente, por
abandono e por maus-tratos. As denúncias no 156
são encaminhadas ao CCZ e a operação preserva o
denunciante, os funcionários e os voluntários que
participam das ações.
Temos muito orgulho deste trabalho que apesar de
pouco divulgado, por motivos óbvios, caminha
correta e seriamente, em concordância com a
vontade da sociedade paulistana, que não mais
suporta assistir cenas de crueldade e de abuso
contra os animais.
Agradece a todos que colaboram e participam das
campanhas esclarecedoras sobre a vida dos cavalos
em meios urbanos e lutam para que na próxima
década, a cidade de São Paulo possa também, se
orgulhar de tratar seus animais com dignidade,
respeito e cidadania.
Projeto Anjo dos Cavalos - PAC
coordenação geral
coordenação de projetos especiais
www.anjodoscavalos.org.br
pac@anjodoscavalos.org.br |